Muito mais do que um cartão-postal, o Rio Preto faz parte da identidade de São Mateus, no Norte do Espírito Santo. Suas águas, que nascem no próprio município e seguem até desaguar no Rio São Mateus, no território de Conceição da Barra, ajudaram a moldar a história, a cultura e o desenvolvimento da região.
Nas obras do historiador Eliezer Ortolani Nardoto, o Rio Preto é apresentado como um dos importantes cursos d’água da bacia do Rio São Mateus, exercendo papel fundamental no abastecimento, na agricultura e na ocupação do interior do município ao longo dos séculos. Seus afluentes e margens serviram de referência para comunidades rurais e acompanharam a expansão da colonização da região.

Além de sua importância histórica, o Rio Preto tornou-se um dos principais espaços de lazer dos mateenses. O balneário localizado às margens da Rodovia Othovarino Duarte Santos recebe moradores e visitantes em busca de águas limpas, contato com a natureza e momentos de descanso, especialmente durante o verão.
Eliezer Nardoto também resgata relatos sobre as grandes estiagens que marcaram a história do Norte Capixaba. Segundo registros citados pelo historiador, seu pai contava que, durante a severa seca de 1910, córregos da região secaram completamente, obrigando moradores a cavarem poços no leito dos rios para conseguir água destinada ao consumo. O episódio demonstra como o Rio Preto sempre foi essencial para a sobrevivência e para a economia local.
Hoje, preservar o Rio Preto significa preservar parte da história de São Mateus. Suas águas carregam não apenas riqueza ambiental, mas também memórias de gerações que viveram, trabalharam e construíram suas vidas às suas margens. Valorizar esse patrimônio é reconhecer a importância de um rio que continua sendo símbolo de lazer, desenvolvimento e identidade para o povo mateense.


